De todos os
altares, tu és o altar mais lindo e mais frondoso. O altar mais colorido de
amor, e o mais florido tu és. Família, a representação do altar da vida humana,
raiz de todas as folhas, aroma verdadeiro das rosas mais cheirosas. E brilha na
constelação em que se enquadra este pequeno planetinha mais uma estrela, mais
um altar de amor. Hoje nasceu mais uma Família.
Religião, o religare das almas com sua transcendência,
a junção dos espíritos em sua trajetória terrestre. A religião é o momento da
união do EU individual e humano com o Eu divino, com a fagulha eterna do Pai
que habita em nós, o espírito. Todas as religiões são fragmentos de luz de uma
só estrela, todos os caminhos levam ao Divino Professor, as diferenças
teológicas, culturais e práticas são exclusivamente técnicas pedagógicas
diferenciadas que o Pai promove para melhor alcançar seus filhos em todos os
cantos, respondendo de diversas formas às diversas necessidades de aprendizado
de cada povo ou coletividade humana.
Porque falar
de dois assuntos tão grandiosos num só momento?
Minha
inspiração surgiu ontem, dia 16 de Dezembro de 2011, quando fui convidado a
presenciar a união de um casal em matrimônio, numa celebração católica. Mesmo
não sendo praticante da religião Católica, sinto um respeito enorme por sua
beleza ritualística e seu fundamento Cristão. Eu que sou crente da Doutrina
Espirita Cristã, na sua representação na Lei de Umbanda e sou filho de um ilê axé, ou seja, sou membro de uma
família que se une pela crença das forças da natureza divinizadas nos Orixás,
sinto-me tocado por tão singelo e profundo ritual como é o Santo Sacramento do
Matrimônio, na Igreja Católica Apostólica Romana.
Durante o
ritual religioso, naquele templo majestoso que é a Basílica do Sagrado Coração
de Maria, no Méier, senti como nunca a presença de uma trama Divina que
envolveu os noivos, seus familiares e todos que estávamos ali presentes. Estes
noivos, tão belos que juntos formam uma perfeita harmonia física e mental, em
suas diferenças principalmente, transmutavam-se em uma só figura ao se unirem
perante o altar de sua fé. Já na entrada da noiva, que ocorreu da forma mais
clara que todas as noivas esperam, com um abrir de portas da Igreja inesperado
e o clarão dos olhos de todos os que a aguardavam ansiosos, vi de longe a
primeira cena impressionante. O noivo, destacado em sua posição no altar,
vislumbrava sua futura esposa com uma alegria e orgulho únicos. Sem perceber,
realizava movimentos afirmativos com a cabeça e lhe lançava um olhar de
cumplicidade e alegria que verdadeiramente só puderam ser entendidos em sua
totalidade por sua amada, que já chegava com os olhos marejados, cansados de
tantas lutas para que aquele momento ocorresse perfeitamente.
Foram muitos
momentos alegres que vi, já quando eram declarados esposos, a noiva nos
surpreendeu a todos pedindo a palavra e dedicando a seu amado uma bela canção.
Uma canção que falava do amor físico que os unia e do amor divino que seria seu
objetivo e seu amparo em todos os momentos. Não me recordo, talvez pela emoção
do momento, dos versos, mas sempre carregarei comigo a beleza deste conceito, o
amor que une as criaturas e as fortalece, unindo suas virtudes em favor de sua
caminhada nesta existência tão delicada e tão difícil que é a vida humana.
Sem dúvida,
naquele momento sublime, senti uma certeza indubitável, que o maior dos
Sacramentos é o do casamento, porque dele nasce um núcleo de ação e dinamismo do
Cristo para com seus filhos, a Família.
Se todas as religiões representam a própria vida, e todas possuem seus altares com o equilíbrio majestoso de Deus, este é o mais novo altar da vida, esta é a mais nova família que Deus criou para prosseguirmos na nossa missão de lutar, amar e caminhar cada vez mais a caminho Dele próprio, nossa origem e nosso fim.





