sexta-feira, 20 de abril de 2012

Manifesto da Simplicidade


Maravilhoso sim, é arroz com feijão, em seu sabor e composição. O arroz é talvez a maior fonte de energia calórica da natureza, os chineses já sabiam disso milhares de anos atrás. O feijão é o retrato do Brasil, fibra, carboidratos e minerais, tudo que precisamos e muito mais ainda de sabor e poesia. Por que só quem já provou o caldo do feijão antes da feijoada sabe o que é saciedade.

Para que tanto desejo? O que te mais agrada é o inesperado. Quem é belo demais não tem tempo para admirar a beleza da criação nas formas simples. Porque combatemos por riquezas e por títulos? Nosso tempo é curto. Um dia e uma vida são muito pouco tempo.

A maior cena de amor que vi nessa vida tinha como personagens um homem e uma mulher em um chão, com jornal e café somente.

Prefiro uma boa história de amor, mesmo até o amor não correspondido, a dez histórias rápidas de conquistas vazias. De que vale simplesmente saborear uma mulher linda e esquecê-la. Marca muito mais no coração a lembrança de um sorriso simples que nos traz a saudade, que nos faz sair à noite pra cantar debaixo de janelas.

Deitados, somos todos do mesmo tamanho. No sono, como na morte, igualamo-nos pobres e ricos e feios e ignorantes e até os sem sucesso nenhum. Sucesso é uma palavra perigosa por comtemplar vários significados, quem só procura o sucesso, não é bem sucedido em nada. Mesmo o homem mais elegante ou a mulher mais linda cagam. Cagar mesmo, é assim que se deve dizer, porque evacuar é coisa de gente doente. Evacuar é fugir, esvaziar, enquanto cagar, esse verbo tão lindo, tem como segundo significado a libertação de uma preocupação desnecessária – Estou cagando.

E para terminar esse simples manifesto, trago uma resposta para aqueles que querem ser enormes e imponentes como o Sol. O Sol, meus caros, é formado em seu volume por 92% de Hidrogênio, assim como o próprio universo todo, e o Hidrogênio, pra quem não sabe, é o elemento mais simples da natureza.

Chego a conclusão de que um amor “feijão com arroz” é o maior sucesso que podemos alcançar nesta breve caminhada que chamamos de vida.


“Porque a vida é um sopro, você nasce e morre, e só.” (Oscar Niemeyer)

terça-feira, 17 de abril de 2012

Da Perfeição das coisas


Nada é perfeito.
Andar por uma rua vazia, quando se quer o silencio para a reflexão é bom. Andar sozinho numa rua cheia quando se quer alguém é solidão. Olhar o pôr-do-sol magnífico quando se viveu o dia é maravilhoso, mas quando a noite reserva momentos de medo, é angustiante. Mergulhar no mar, tem algo melhor do que mergulhar no mar? Sim. Fugir das ondas, quando não se consegue mais bater os braços. Ganhar muito dinheiro é promessa de fartura e alegria, ao menos quando se tem saúde, pois quando não se tem saúde dinheiro não serve de nada. Graduar-se, evoluir na escada do aprendizado é vitorioso, perceber-se cada vez mais ignorante e humilde diante do infinito que é o universo, pode ser humilhante. Amar talvez seja perfeito, visto que mesmo quando não se é amado pode-se continuar amante, porém quando a figura desejada lhe traz decepção, faz-se do amor desamor e isto é proporcionalmente doloroso. Experimentar o prazer e a dor do sexo perfaz um momento perfeito, bobagem para quem está com um único pensamento longe daquele quarto;  ou se constrói a grandiosa penitencia, que finda na impotência ou na náusea, que é o contrário do prazer.
Perfeição é perceber que se andou, e quando se estava só sorriu consigo mesmo e quando junto estava de mãos dadas (ainda que caminhasse com um amigo ou irmão). Perfeição é se ter certeza que o Sol nascerá novamente e novamente cairá, e é opcional vê-lo, ou simplesmente não sabê-lo por que nem todo dia é dia de pôr-do-sol. É perfeito enfrentar o mar e saber deixar-se levar pelas ondas, mais ainda é saber retroceder e recuar ante a grandeza do mar, quando é necessário. Perfeito é saber que o dinheiro ganho foi gasto com saúde, e mesmo sem dinheiro, é perfeito saber que ainda se pode respirar. Como a própria saúde, quando falha é perfeita em nos ensinar lições que o dinheiro não paga. Graduar-se é perfeito quando se sabe que a cada degrau vencido, novos degraus se constroem na nossa eterna escalada, e que o universo é imenso e cabe todo num único grão de areia. Amar é perfeito, e por mais que se apague a figura do ser amado pode-se ainda perceber o calor e a brisa do amor na própria lembrança, fortalecendo o maior amor, que é o perdão sincero. Perfeito é fazer sexo, e ainda que se encontre um dia com a fraqueza ou a saudade, sabe-se que o perfeito do sexo é mais a lembrança do “antes” e do “depois”.

Tudo é perfeito na memória, pois no momento, tudo pode ainda melhorar.