quarta-feira, 20 de junho de 2012

A minha fé


A minha fé. Qual é a minha Fé!

Perguntamo-nos todos os dias sobre o que nos move neste mundo. Queremos crer em algo invisível que justifique nossa moral, nossos medos e nossa eterna dúvida se estamos sós neste mundo e se tudo é só mera equação química que nos torna tão únicos. Creio que devemos fazer sempre o exercício do questionamento. Devemos perguntar a nós mesmos qual a nossa motivação para viver a cada dia. O que procuramos, quais são os nossos objetivos nesta vida.

Eu sou Cristão

Ser Cristão é mais simples do que se pensa, na minha humilde opinião. Porém viver como Cristão é muito mais profundo do que simplesmente crer-se como fiel da fé em Cristo, é mais profundo do que apenas ser crente (aquele que crê). Ser Cristão, creio, é carregar em si a insígnia dos que seguem a Cristo, não basta crer apenas. É necessário envolver-se, transformar-se e permitir-se viver sob os ensinamentos do mestre de Nazaré.  Nunca é simples o caminho dos que escolhem entregar-se ao modus vivendi do Cristo em confronto com as necessidades físicas e sociais da vida humana. Somos almas encarnadas nesta terra, encarceradas nesta maravilhosa criação que é o corpo humano, porém limitados diante das capacidades infindáveis do espírito, nossa natureza única e nossa condição primordial.
Ser Cristão não nos torna melhores simplesmente pela crença na vida e na vitória de Jesus de Nazaré sobre a morte corporal. Ser Cristão nos confere as ferramentas para a transformação íntima que santifica nossas ações diariamente. Uma palavra, um ato, um olhar e, principalmente, um silencio fazem de nós verdadeiros Cristãos.
Ser verdadeiramente Cristão é, finalmente, sobrepor a lei de amor, caridade e fraternidade ensinada pelo Cristo às nossas tendências humanas, o ódio e a procura incessante da satisfação dos nossos desejos materiais. Esses sim, nossos desejos mais animais, são meras ferramentas bioquímicas de manutenção da espécie. Sem a busca pelo prazer erótico ou gustativo, através do sexo e da alimentação, não poderíamos evoluir como espécie, porém agora é hora de mudança, é hora de buscar o Pão da Vida e a fecundidade do Espírito. É hora de descobrir  o que nos define – A procura do sucesso na saciedade de nossas tendências materiais ou a busca da sublime felicidade que advém da percepção do Deus que há em si e em nosso próximo e em tudo que existe.

Sou espírita

          Creio na eternidade da alma, nas infindáveis moradas do Pai. Na vida extracorpórea e na continuidade da vida após a morte material. Creio que somos espíritos encarnados com a finalidade exclusiva da evolução pelo aprendizado. Sinto que o aprendizado se dá, como diria Emmanuel, pela ação do elemento água em nossas vidas, seja pelo suor do trabalho edificante ou pela lágrima inevitável do sofrimento expiador. Ser espírita é muito mais do que simplesmente crer nas encarnações sucessivas ou mesmo na comunicação, através das faculdades mediúnicas, com outros espíritos que se encontrem libertos do plano material. Ser espírita é ter a certeza de que nossas ações e pensamentos se somam no universo de nossas almas, e tudo que pensamos e fazemos torna-se nosso tesouro interior, muito maior do que os tesouros que podemos amealhar nesta curta experiência física que se dá entre o ventre e o túmulo.

Sou Umbandista


                Creio na humildade como a maior demonstração de evolução espiritual. Creio que vivemos acompanhados pelas boas intuições de nossos antepassados. Não posso conceber que todo espirito de Luz apresente-se somente sob a imantação de estereótipos de alta condição social na terra. Creio na luminosidade Divina existente nos sábios Pretos e Pretas Velhas, na capacidade educativa e protetora dos Caboclos das Matas e na pureza e grandiosidade existentes nos sorrisos e nas mãos dos querubins que se apresentam simplesmente como pequeninos mestres, as crianças da beira da praia, das matas e cachoeiras. Sou Umbandista porque acredito na transmutação mágica dos elementos unidos aos pensamentos para o subproduto da Luz, da cura, da paz e da boa sorte. Sou Umbandista porque creio no Karma como lei inevitável, porém não aceito a tristeza e o sofrimento, acendo minhas velas, imunizo-me nas defumações e nas oferendas contra as energias mal trabalhadas do ódio e da inveja, dos espíritos ignorantes do espaço invisível. Sou Umbandista porque procuro acima de tudo a felicidade, através da simplicidade da dança alegre dos camaradas dos sertões ou das gargalhadas dos compadres que nos vem proteger e ensinar o bom caminho através dos revezes da vida humana cotidiana.

Sou Candomblecista


                Sou homem de Axé, porque creio no infinito Deus que é tão grandioso que confere vida a todos os elementos, dando-lhes impulso de vida em todas as suas formas e naturezas materiais. Sou Candomblecista porque creio na existência dos Orixás, Inquices e Voduns como forças inteligentes que mantém o equilíbrio da vida humana e nascem em nós quando somos concebidos pela natureza divida, fazendo parte de nossa própria essência por todas as encarnações que vivemos na terra. Sou crente da fé negra oriunda do coração da humanidade porque creio que podemos nos unir a nossa transcendência, nossa natureza mais pura que é nosso Orixá, através do sagrado ritual do renascimento, de reforma interior e de humildade que é a iniciação do orixá. Sou de Axé porque creio no axé como energia de vida, como força que une os orixás imantados nos elementos da criação e os viventes que desfrutam desses elementos para a manutenção de sua existência material. Sou Candomblecista porque creio na intervenção e na misericórdia dos Orixás, por ordem de Olodumare, nas nossas vidas, fazendo com que sejamos seres que buscam a força do equilíbrio da vida, da saúde, da boa sorte, da fecundidade e da boa colheita. Sou Candomblecista porque procuro a felicidade da simplicidade e do amor fraternal através da alegria de louvar nossos ancestrais e as forças sublimes da natureza.





É tão simples ter fé!

O que você procura? O que você é?