sábado, 22 de outubro de 2011

Conjecturando

O dia está muito frio lá fora, todo Sol que se prometeu durante a semana fugiu para Búzios e eu aqui, com um café quentinho e o mundo inteiro na minha tela de computador. Nessas horas de confinamento preguiçoso nossas mentes costumam se esvaziar de conjecturas... Batata inglesa não engorda. As formas estéticas estão ultrapassadas. Ser feliz é ter fé. O bom mesmo é se curtir e saber viver consigo mesmo. Solidão não existe. Todo amor é ilusório.
Desde pequeno ouvi os mais velhos falando sobre conjecturas, sobre discussões intermináveis que terminam em grosserias e a velha frase “você fica conjecturando demais”. Nunca compreendi a totalidade desta palavra, conjectura, de tal forma que para mim, até hoje, servia como ofensa da maior natureza, daquelas que se jogam quando o interlocutor não faz ideia de como é importuna sua fala e sua motivação. Enfim, como não tenho nada melhor para fazer do que conjecturar, perco-me nas palavras e vou a fundo entender este verbo, que não era no princípio, mas no princípio quando era o verbo, o verbo conjecturou muito e deu no que deu... Nós.
Procurei nos velhos livros (Google) sobre sua etiologia, buscando aquelas explicações maravilhosas do latim, do grego ou outras línguas que ninguém sabe falar, explicações que nos ajudam a discorrer mais sobre palavras do dia a dia e lhes conferir uma importância que ninguém nunca reparou, até por não existir tal importância. Não há. Simplesmente os habitantes da Roma antiga ficavam discutindo e falando de conjecturas da mesma forma que nós, porque a origem desta doída é simplesmente essa, conjectura.
Neste momento, os casais se encontram nas praças, os passarinhos avuam nos galhos das árvores frondosas, os velhinhos nos asilos tomam suas sopas insuportáveis e assistem seus programas de sábado, igualmente insuportáveis, dançam os mendigos pelas ruas em busca de mais um prato ou um gole e, de uma forma simples e rara, todos estão felizes. Felizes por se saberem como são, por se entenderem em sua natureza simplesmente, o pássaro avua, o velhinho come sopa, o casal se encontra e o mendigo caminha a esmo, nada para se entender, para se estudar, nenhum conhecimento para se ampliar, nada. O exercício da vida é a prática do imutável, sem conjecturas, sem a necessidade de se explicar algo que nos incomoda. Conjecturar é isso, lançar afirmativas que tentam dar uma cor de novo a velhos sentimentos, reforma-los como novos e relança-los modificados tentando uma nova realidade que seja menos incomoda. Conjecturar é afirmar o que não se comprova, mas se deseja, é o que fazem os preguiçosos o bastante para mudar suas próprias realidades.
As formas estéticas são a representação do que se considera belo, assim como a própria moral, essas formas são variáveis de acordo com o tempo e o lugar e por assim ser, nunca estarão ultrapassadas, ultrapassado é o feio.
Viver só é impossível, quem só se curte só se curte por que não é curtido por ninguém. Nada na natureza é completo sozinho, nem os átomos que avuam como os pássaros, nem os mendigos, nem os velhinhos nos asilos, só os casais, que se interagem entre si e com outros casais...
Ter fé é acreditar no impalpável, amar é acreditar no impossível, ser feliz é ter certeza. Portanto ame, tenha fé, mas faça do seu dia um dia feliz, de serotonina pro seu corpo, coma, beba, goze a vida, Carpe Diem.
Batata inglesa engorda, isso nunca mudará... merda.




Mas os pássaros avuam .....

Um comentário:

  1. É caro amigo, conjecturar sobre a vida, para mim é o princípio da mudança. Estruturar metas, rever objetivos, perceber o que lhe falta ou o que lhe sobra.
    Conjecturar é mais profundo que divagar sobre algo e é aí que mora a esperteza da coisa. Conjecture, planeje e não apenas fique divagando sobre o que pode vir a ser.
    Você descreveu namorados, pássaros, mendigos, velhos...como se tudo o que fizessem fosse pertencente à plenitude da felicidade. Não é assim. VOcê ao escrever isso também é feliz. Ainda sim é possível ser feliz na tristeza. Acredite.
    Ninguém é feliz sozinho e eu concordo completamente com isso, mas mesmo não-feliz sozinho é melhor que infeliz acompanhado se a companhia não for capaz de completá-lo. Acredite nisso também.

    Sim, batatas inglesas engordam, mas quem disse que nos estão proibidas? O que engorda nos faz feliz: brigadeiros, bolos, hamburgueres,pizzas e até batatas inglesas. O que importa? O que importa é ser feliz, mesmo que por uma fração de tempo e mesmo que seja a sensação imediatamente anterior à culpa. Você vai poder pensar" fui feliz" e no final é isso que conta.....

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