terça-feira, 17 de abril de 2012

Da Perfeição das coisas


Nada é perfeito.
Andar por uma rua vazia, quando se quer o silencio para a reflexão é bom. Andar sozinho numa rua cheia quando se quer alguém é solidão. Olhar o pôr-do-sol magnífico quando se viveu o dia é maravilhoso, mas quando a noite reserva momentos de medo, é angustiante. Mergulhar no mar, tem algo melhor do que mergulhar no mar? Sim. Fugir das ondas, quando não se consegue mais bater os braços. Ganhar muito dinheiro é promessa de fartura e alegria, ao menos quando se tem saúde, pois quando não se tem saúde dinheiro não serve de nada. Graduar-se, evoluir na escada do aprendizado é vitorioso, perceber-se cada vez mais ignorante e humilde diante do infinito que é o universo, pode ser humilhante. Amar talvez seja perfeito, visto que mesmo quando não se é amado pode-se continuar amante, porém quando a figura desejada lhe traz decepção, faz-se do amor desamor e isto é proporcionalmente doloroso. Experimentar o prazer e a dor do sexo perfaz um momento perfeito, bobagem para quem está com um único pensamento longe daquele quarto;  ou se constrói a grandiosa penitencia, que finda na impotência ou na náusea, que é o contrário do prazer.
Perfeição é perceber que se andou, e quando se estava só sorriu consigo mesmo e quando junto estava de mãos dadas (ainda que caminhasse com um amigo ou irmão). Perfeição é se ter certeza que o Sol nascerá novamente e novamente cairá, e é opcional vê-lo, ou simplesmente não sabê-lo por que nem todo dia é dia de pôr-do-sol. É perfeito enfrentar o mar e saber deixar-se levar pelas ondas, mais ainda é saber retroceder e recuar ante a grandeza do mar, quando é necessário. Perfeito é saber que o dinheiro ganho foi gasto com saúde, e mesmo sem dinheiro, é perfeito saber que ainda se pode respirar. Como a própria saúde, quando falha é perfeita em nos ensinar lições que o dinheiro não paga. Graduar-se é perfeito quando se sabe que a cada degrau vencido, novos degraus se constroem na nossa eterna escalada, e que o universo é imenso e cabe todo num único grão de areia. Amar é perfeito, e por mais que se apague a figura do ser amado pode-se ainda perceber o calor e a brisa do amor na própria lembrança, fortalecendo o maior amor, que é o perdão sincero. Perfeito é fazer sexo, e ainda que se encontre um dia com a fraqueza ou a saudade, sabe-se que o perfeito do sexo é mais a lembrança do “antes” e do “depois”.

Tudo é perfeito na memória, pois no momento, tudo pode ainda melhorar. 

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